terça-feira, 19 de outubro de 2010

PREÇOS E VALORES DAS ADAPTAÇÕES PARA CADEIRA DE RODAS

Conforme a indústria do segmento avança em tecnologia assistiva, aumenta-se também o valor dos produtos de uma maneira geral, esta afirmação parece óbvia, porém é ambigua , muitos podem achar que quando dizemos " valor" se trata do preço, de quanto se pagará por tal produto, mas quando dizemos valor em nossa empresa, nos referimos a quanto este equipamento trará de beneficios ao usuário.

Hoje temos no mercado nacional, mais especificamente em medicina assistiva focada em adequação postural sobre cadeira de rodas, instituições de renome internacional e um grande número de terapeutas trabalhando com produtos muitas vezes confeccionados de forma artesanal, quase sempre de alto preço, porém de baixo valor agregado, o contrário também pode acontecer em rarissimas exceções, é muito dificil encontrar profissionais que realmente saibam agregar um grau de valor a equipamentos de baixa qualidade confeccionados de forma artesanal com madeira, espuma comum colada e uma capa de tecido automotivo, o mesmo acontece com produtos industrializados, já visitamos pessoas que possuiam um excelente produto, porém estavam muito mal sentados, mal posicionados, agravando deformidades, gerando descontentamento no quesito postural.

Há no mercado uma cultura do " te dou isso se eu obtiver uma vantagem maior que a cedida" cito como exemplo Instituições que doam cadeiras de rodas a usuários com paralisia cerebral, no geral doam cadeiras de baixo VALOR e PREÇO, nada adequadas a estes usuários, cadeiras de auto propulsão ( com rodas traseiras grandes) e chassi com fechamento em "X", sem possibilidade de inclinação de encosto ou possibilidade de mudar o tilt de maneira eficaz.
Para que serve uma roda com aro de autopropulsão se o usuário não possui a minima condição motora de impulsionar por si só a cadeira? deve ser para enroscar melhor nas portas e vãos, riscar as paredes de corredores residênciais e gerar lesões aos usuários ao colocar as mãos por acidente nos raios das rodas ou cortá-las nos protetores de raios que são no geral feitos de um plástico bem fino que ao trincar se transformam em uma verdadeira lâmina.

Como se não bastasse o presente de grego, o corpo de profissionais da instituição indica uma adaptação sobre esta cadeira para que ela passe a atender as necessidades posturais do usuário e isso quase sempre não é gratuito. Para recapitular, te doaram uma cadeira inadequada e posteriormente lhe cobram para fazer as alterações necessárias, isso não é doação e sim VENDA CASADA. Por que não doaram uma cadeira já pronta, algo que funcionasse sem necessidade de se gastar? Opção no mercado existe.

Durante o ano recebemos muitas ligações de empresários, empresas e ONGs interessadas em fazer doações de cadeiras de rodas a crianças necessitadas, no geral casos gravissimos, que exigem além de um produto que funcione, mão de obra especializada para fazer os ajustes finos, com real interesse de compra perguntam sobre os preços e invariavelmente após receber esta informação dizem que como se trata de uma doação gostariam de dar algo mais barato, é interessante ver que muitos empresários, gerentes e adminstradores não entendem que um menor preço está muitas vezes ligado diretamente a menor valor agregado, que este equipamento mais barato não atenderá o contemplado pela doação e essa cadeira será encostada, em pouquissimo tempo estará em um canto da casa pegando poeira, e a boa ação se transformará em uma perda de dinheiro para quem doou e uma perda de oportunidade de melhora de qualidade de vida para quem recebeu a doação.

Ainda hoje recebemos pedidos de orçamentos para que este seja conflitado com orçamentos de terceiros, a tipica busca pelo menor preço que no geral se transformam em aquisições desastrosas por conta até de centavos, compram produtos de durabilidade de 1 ano que custam 50% menos achando que estão fazendo um excelente negocio, deixando de lado os produtos que custam mais porém possuem durabilidade de 5 anos, terão de renovar 5 vezes o lote do produto mais barato para obter o mesmo tempo de beneficio do produto de durabilidade de 5 anos que no orçado era um pouco mais caro, qual a vantagem nessa economia? Por que ainda empresas e até mesmo orgãos públicos exigem 3 orçamentos? Deve ser para ter mais trabalho e ainda por cima no final fazer um péssimo negócio, ver somente o valor final e não o descritivo do que realmente esta sendo orçado, isso é extremamente anti produtivo e inviável economicamente, joga-se muito dinheiro fora anualmente agindo com esse pensamento ultrapassado dos 3 orçamentos contemplando o de menor sifra sem mais nenhum julgamento.

Nesse meio cada caso é um caso, dificilmente um produto industrializado funcionará perfeitamente para todos usuários sem algum tipo de ajuste, o grande problema é que muitos produtos possuem pouca flexibilidade de ajustes e isso compromete o resultado final na adequação postural, há também os produtos top de linha que possuem preços mais altos, porém muito mais valor agregado e realmente funcionarem. Existem casos que mesmo com os melhores produtos, não se atinge um resultado satisfatório por impericia do corpo de profissionais que estão atendendo o caso, já ocorreu de uma terapeuta pegar um produto de alta qualidade e pedir para que fossem substituidas partes por materiais inferiores em qualidade e beneficios por conta de sua falta de atualização profissional e conhecimento limitado em novas tecnologias.

A falta de conhecimento e atualizações periódicas
válidas, podem diminuir o valor agregado de um equipamento caro e de alta performance, no pais existem alguns congressos e simpósios anuais nos quais sempre mostram as mesmas imagens e falam sobre as mesmas coisas, sobre tecnologias de mais com de 10 anos, parece que estão em um outro mundo e com o agravante de se acharem que estão na vanguarda do conhecimento tecnológico do setor até hoje, não acompanham as industrias, seus novos projetos, novas pesquisas e tentências do segmento, infelizmente quem perde com isso é o usuário e suas familias.
Texto de Alex De Barros
diretor da Ortrus Tecnologia de Reabilitação e Sistemas Posturais

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